Agência Peixe Vivo participa de iniciativa para fortalecer a resiliência hídrica diante das mudanças climáticas

24/09/2026 - 9:32

Revista Águas do Brasil destaca avanços e desafios do Water Resilience Tracker no Brasil


A Revista Águas do Brasil – Edição 34, publicação da Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrográficas (REBOB), dedica uma matéria especial às experiências e aos avanços do Water Resilience Tracker (WRT) no Brasil, ferramenta voltada à avaliação da incorporação da água nas estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

Com o tema central “Vida: o verdadeiro valor na gestão das bacias hidrográficas”, a edição de junho de 2026 reúne conteúdos sobre os principais debates realizados durante o 3º Fórum Brasil das Águas, além de apresentar experiências, iniciativas e reflexões relacionadas à gestão integrada dos recursos hídricos, à segurança hídrica e à adaptação climática.

Entre os destaques da publicação está a matéria “Water Resilience Tracker: lições e experiências no Brasil das águas”. O conteúdo apresenta a trajetória de implementação do WRT no país, seus resultados e os próximos passos para ampliar a resiliência hídrica em diferentes escalas de planejamento.

A Agência Peixe Vivo integra o conjunto de organismos de bacia envolvidos na aplicação do WRT em seis bacias hidrográficas brasileiras selecionadas para a Fase II do projeto, entre elas a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu.

WRT amplia o olhar sobre a adaptação climática

O Water Resilience Tracker é uma ferramenta desenvolvida para analisar de que maneira a água está incorporada aos instrumentos de planejamento climático. O questionário utilizado possui mais de 200 perguntas, organizadas em quatro dimensões: a presença da água nos planos climáticos nacionais; a água no planejamento e na governança; as conexões entre recursos hídricos e setores específicos; e as relações com financiamento climático e implementação de projetos.

A primeira fase da iniciativa, realizada entre 2024 e 2025, analisou oito planos nacionais. Entre os principais resultados, identificou-se a necessidade de ampliar a integração entre os diferentes setores, fortalecer a capacidade institucional e conferir maior centralidade à água nas estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

Na segunda fase, iniciada em 2025, a metodologia passou a ser aplicada também em escala subnacional, contemplando seis bacias hidrográficas que representam diferentes realidades ambientais, socioeconômicas e institucionais do país: Itajaí, Alto Tietê, Paraíba do Sul, São Francisco, Piancó-Piranhas-Açu e Tocantins-Araguaia.

Agência Peixe Vivo contribui para a aplicação do WRT na Bacia do São Francisco

A participação da Agência Peixe Vivo nesse processo está diretamente relacionada à sua atuação como organismo de bacia do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF).

A aplicação do WRT nos planos de bacia busca identificar oportunidades de aprimoramento que vão além de alterações pontuais nos documentos. Entre os temas avaliados estão a incorporação de cenários climáticos, o fortalecimento da governança adaptativa, a integração entre setores, a inclusão social, o financiamento climático e o monitoramento contínuo.

Esse processo reforça a importância da participação dos organismos de bacia na construção de estratégias que conectem planejamento, gestão dos recursos hídricos e adaptação às mudanças climáticas.

Para a Diretora-Geral da Agência Peixe Vivo, Rúbia Santos Barbosa Mansur “A participação da Agência Peixe Vivo nessa iniciativa acontece em um momento muito oportuno. Neste ano, iniciamos um novo ciclo de planejamento da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, com a construção do Plano Integrado de Recursos Hídricos. Ter contato com uma metodologia como o Water Resilience Tracker nos permite ampliar a nossa reflexão e incorporar, desde o início desse processo, a perspectiva da resiliência hídrica e da adaptação às mudanças climáticas ao planejamento da bacia.”

“O novo Plano será uma oportunidade para olharmos para a bacia de forma integrada, considerando seus diferentes territórios, usos da água, desafios e cenários futuros. Nesse contexto, o conhecimento produzido pelo WRT pode contribuir para qualificar as discussões, identificar lacunas e fortalecer estratégias que tornem o planejamento mais adaptativo e preparado para as transformações climáticas.”

A Diretora-Geral também destacou a importância da cooperação entre as instituições envolvidas na iniciativa.

“Esse processo de construção coletiva é fundamental. Por isso, fazemos questão de agradecer especialmente ao Glauco Kimura de Freitas, pela condução desse trabalho, pela abertura ao diálogo e pela contribuição para aproximar a agenda de resiliência climática da realidade dos organismos e das bacias hidrográficas brasileiras. Para a Agência Peixe Vivo, essa parceria representa uma oportunidade importante de aprendizado e, sobretudo, de contribuir para que o próximo ciclo de planejamento esteja cada vez mais conectado aos desafios presentes e futuros da gestão das águas.”

Oficina reuniu organismos de bacia durante o 3º Fórum Brasil das Águas

Um dos momentos destacados pela revista foi a realização, em 7 de maio de 2026, de uma oficina presencial para apresentação dos resultados da aplicação do WRT e coleta de contribuições dos organismos de bacia.

A oficina representou uma etapa importante de diálogo e validação, permitindo que representantes dos comitês e agências de bacia contribuíssem para a análise dos resultados e para o aprimoramento das recomendações relacionadas à resiliência hídrica.

Da análise à implementação

A matéria da Revista Águas do Brasil também aponta para uma próxima etapa do trabalho: transformar os achados do WRT em ações concretas.

Entre as possibilidades está uma futura Fase III, voltada à implementação de recomendações prioritárias nos níveis nacional e subnacional, por meio de um processo de construção conjunta de projetos que possam ser financiados e efetivamente implementados nos territórios.

Outra proposta em desenvolvimento é a criação de uma “cesta de adaptação para bacias hidrográficas”, que poderá apoiar processos participativos de identificação e priorização de medidas de adaptação. A metodologia prevê a utilização da Matriz IUT – Impacto, Urgência e Tendência –, com o objetivo de gerar um portfólio priorizado de ações e um plano de implementação para cada bacia.

Para a Agência Peixe Vivo, a participação nessa agenda reforça seu compromisso com o fortalecimento da gestão integrada dos recursos hídricos, com a articulação entre instituições e com a construção de estratégias capazes de preparar as bacias hidrográficas para os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Ao registrar experiências como a do Water Resilience Tracker, a Revista Águas do Brasil – Edição 34 amplia o debate sobre os caminhos necessários para uma gestão hídrica mais integrada, resiliente e preparada para um cenário de mudanças climáticas.

A edição reforça uma mensagem que atravessa seus diferentes conteúdos: a resiliência hídrica depende de cooperação, planejamento e capacidade de transformar conhecimento em ação nos territórios.


Link de acesso a revista: Revista Águas do Brasil – 34 – Águas do Brasil


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